O dia em que você percebeu que o problema não era o volume
Imagine um dia comum.
Você começa almoçando em um restaurante bonito, moderno, cheio de vidro, concreto e pé-direito alto. A comida é excelente. O atendimento também. Mas, depois de 40 minutos, algo começa a incomodar. Para conversar, você precisa repetir frases. Inclina o corpo para frente. Fala um pouco mais alto.
Curiosamente, todas as mesas ao redor estão fazendo o mesmo.
Ninguém está gritando.
Mas o ambiente está alto.
Você sai levemente cansado — e não sabe explicar exatamente o porquê.
Mais tarde, você participa de uma reunião. A sala é elegante: mesa grande, paredes lisas, teto amplo. A conversa começa tranquila. Quinze minutos depois, todos estão falando mais alto. Alguém pede para repetir um ponto. Outro interrompe porque não entendeu direito.
Não é falta de atenção.
É esforço auditivo.
À noite, você passa na academia. A música está animada, mas parece “pesada”. Não está apenas alta — ela se mistura com o som dos equipamentos, com as instruções do professor e com as conversas paralelas. O som perde definição. Ele ocupa todo o espaço.
Você termina o treino mais exausto do que deveria.
No fim de semana, visita uma igreja moderna. Arquitetura linda, ampla, imponente. A mensagem começa, mas algumas palavras se perdem. A música emociona, mas parece embaralhada em certos momentos.
E ninguém comenta sobre isso.
Porque o problema não é o volume.
É o tempo.